Na última quinta-feira, 1/12, o governo federal efetivou bloqueio orçamentário no Ministério da ´óÏó´«Ã½Ã§Ã£o (MEC), significando o corte de mais de R$ 15 milhões do orçamento da ´óÏó´«Ã½. Além dos R$ 9,4 milhões que já estavam bloqueados, em 28/11, o governo avançou em despesas que já haviam sido empenhadas, deixando as contas da maior universidade federal do paÃs no negativo.
Agora, lamentavelmente, a UFRJ não poderá executar despesas restantes, nem contratar processos licitatórios recém-concluÃdos após meses de planejamento e execução, nem mesmo proceder com qualquer despesa emergencial que a UFRJ necessite, como seria necessário para reparar os danos com as inundações da última semana no Centro Multidisciplinar de Macaé, devido à s fortes chuvas no Norte Fluminense, por exemplo, ou outro qualquer problema que possa ocorrer.
Se não bastassem os prejuÃzos desta medida, o governo editou, no dia 30/11, o , que alterou os anexos do , de 11/2 – Decreto de Programação Orçamentária e Financeira (Dpof), que dispõe sobre a programação orçamentária e financeira e estabelece o cronograma de execução mensal de desembolso do Poder Executivo Federal para 2022.
Dentre outras providências, o novo decreto zerou o limite de pagamentos das despesas discricionárias (anexo II do Dpof) do MEC previsto para o mês de dezembro. As implicações do instrumento legal estão reiteradas na Mensagem Siafi 2022/3095354, enviada pela Setorial Financeira do MEC, na noite de 1º/12, elucidando que a impossibilidade de repasse financeiro se estende a toda a Administração Pública Federal.
Com a medida, as universidades e institutos federais não receberão repasses financeiros para seus compromissos básicos que apontam para o tripé ensino, pesquisa e extensão. Rotineiramente, no primeiro dia útil de cada mês, a UFRJ recebe recursos financeiros para pagamento das despesas liquidadas no mês anterior. Entretanto, agora, a Universidade não recebeu nada.
UFRJ está impossibilitada de realizar qualquer pagamento
A UFRJ tem R$ 19,3 milhões liquidados em novembro. Ou seja, este é o valor até então apto para pagamento imediato de atividades já realizadas tanto na Administração Central, quanto nas unidades, que aguarda recursos financeiros que não foram disponibilizados e que, segundo o novo decreto, não serão disponibilizados no mês de dezembro.
Assim, neste momento, todos os pagamentos ´óÏó´«Ã½ estão inviabilizados. Isto inclui:
- bolsas de assistência estudantil, como auxÃlio permanência, material didático e alimentação e todo o conjunto de assistências fornecidas pela UFRJ, além de todas as bolsas acadêmicas, como bolsas de extensão, de monitoria e de iniciação cientÃfica.
- salários – já nesta folha de pagamento – de cerca de 900 profissionais extraquadros do Complexo Hospitalar e da Saúde ´óÏó´«Ã½, que conta com nove unidades, entre eles o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), o maior do estado do Rio em volume de consultas ambulatoriais, e a Maternidade Escola, terceiro maior centro do planeta no tratamento da doença trofoblástica gestacional, um tipo de tumor que pode evoluir para o câncer de placenta.
- contratos de transporte e combustÃvel, afetando:
- ambulâncias e veÃculos que atendem ao Complexo Hospitalar e da Saúde ´óÏó´«Ã½;
- ônibus internos e intercampi;
- frota oficial ´óÏó´«Ã½ e
- frota de segurança patrimonial.
- custos do Sistema Integrado de Alimentação, que conta com seis Restaurantes Universitários (RUs).
- contratos de serviços terceirizados, impactando cerca de dois mil trabalhadores, em especial os de limpeza e vigilância, às vésperas do pagamento de dezembro e décimo terceiro.
- insumos básicos para atividades de ensino, pesquisa e extensão.
A Reitoria ´óÏó´«Ã½ identifica o momento como dramático, em um quadro jamais visto em sua centenária história, simbolizando desconsideração do governo federal com o funcionamento ´óÏó´«Ã½ e do conjunto das demais universidades, que são casas da ciência para o progresso do próprio paÃs, como ocorre em todo paÃs verdadeiramente independente. O governo, a um mês do fim de seu mandato, apaga as luzes da sua gestão sem dar qualquer indÃcio de comprometimento com o paÃs.
Em junho deste ano, a para alertar a mÃdia, a comunidade universitária e toda a sociedade sobre a situação a que a UFRJ se encontrava à época, mas não poderia imaginar que o panorama se agravaria ainda mais.
UFRJ cobra providências
A Reitoria ´óÏó´«Ã½, em conjunto com a Pró-Reitoria de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças (PR-3), está mobilizada para a reversão deste cenário. Participa do esforço também todo o sistema federal de ensino superior, por meio da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), acionando parlamentares, órgãos de controle, Ministério Público Federal (MPF) e o gabinete de transição governamental.
Informamos ainda que, nos próximos dias, a reitora Denise Pires de Carvalho estará em BrasÃlia/DF na tentativa de reverter os bloqueios orçamentários junto ao MEC. Convocamos toda a comunidade universitária e a sociedade brasileira para que se unam e se mobilizem a favor da educação, ´óÏó´«Ã½ e das demais universidades, que são o celeiro do conhecimento e da inovação no Brasil.
Enfatizamos que não há nada que as universidades possam fazer isoladamente, já que o corte orçamentário e o cancelamento de repasses financeiros constituem medidas unilaterais adotadas pelo governo federal, ainda que um pacote de esforços tenha sido feito ao longo de 2022 para que pudéssemos concluÃ-lo como programado.
A Reitoria ´óÏó´«Ã½ acompanha de perto a situação com o grau de seriedade que o assunto exige, já que se trata do funcionamento da maior universidade federal do paÃs, e manterá as comunidades interna e externa informadas acerca da evolução do problema e de eventuais medidas de interrupção de atividades ´óÏó´«Ã½.
3/12/2022
Reitoria ´óÏó´«Ã½
