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UFRJ concede título de doutor honoris causa ao cardiologista português Fausto Pinto

Cerimônia destacou a trajetória internacional do médico e reforçou a cooperação acadêmica entre Brasil e Portugal na área da saúde

A ý (UFRJ) concedeu nesta segunda-feira (5/5) o título de doutor honoris causa ao médico cardiologista português Fausto José da Conceição Alexandre Pinto. A homenagem, realizada em sessão solene do Conselho Universitário, reconhece a trajetória internacional do pesquisador e sua contribuição para a ciência, a formação médica e o fortalecimento da cooperação acadêmica entre Brasil e Portugal na área da saúde. A cerimônia ocorreu no Auditório Halley Pacheco, no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF).

Professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Fausto Pinto tem uma trajetória marcada pela atuação em instituições científicas internacionais e pela defesa da cooperação entre universidades e sistemas de saúde dos países de língua portuguesa. Ao longo da carreira, presidiu entidades como a European Society of Cardiology e a World Heart Federation, além de dirigir a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa entre 2015 e 2022.

Em seu discurso, o homenageado destacou a importância histórica ý para a ciência e o ensino superior no Brasil e ressaltou os vínculos acadêmicos entre Portugal e Brasil. “A ý é incontestavelmente uma das grandes referências do ensino superior no espaço ibero-americano e global”, afirmou. Segundo Fausto Pinto, a história da instituição “confunde-se com a própria evolução da ciência, da medicina e do pensamento crítico do Brasil”.

O cardiologista também enfatizou o papel da cooperação internacional diante dos desafios contemporâneos da saúde. “Nenhum país, nenhuma instituição poderá enfrentar isoladamente os grandes desafios globais da saúde. É através de redes de colaboração, de partilha de conhecimento e de construção de soluções conjuntas que conseguiremos avançar”, disse.

Ao mencionar a relação entre a Universidade de Lisboa e a UFRJ, Fausto Pinto afirmou que as instituições “partilham valores, objetivos e uma visão comum do futuro”. Para ele, o Brasil exerce papel central nesse processo de integração científica no espaço lusófono. “Pela sua dimensão, pela sua capacidade científica e pela qualidade dos seus recursos humanos, o Brasil assume-se como um verdadeiro motor desta comunidade na medicina”, argumentou.

Durante a cerimônia, o reitor ý, Roberto Medronho, destacou não apenas a trajetória acadêmica e científica do homenageado, mas também sua dimensão humana e sua atuação internacional em defesa da medicina e da formação médica. “Fausto Pinto é um grande cidadão do mundo. Visitou mais de 120 países levando a mensagem da medicina, da cardiologia, da assistência digna, do ensino e da pesquisa”, afirmou Medronho.

O reitor também relembrou o primeiro contato com o cardiologista português, durante as tratativas para ampliar a cooperação entre a Faculdade de Medicina ý e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. “De imediato percebi que era uma pessoa diferente. O brilho no olhar e o carinho com que trata o outro mostram uma dimensão humana rara”, declarou.

Segundo Medronho, as reflexões apresentadas por Fausto Pinto sobre o futuro da cardiologia e da medicina dialogam diretamente com os desafios contemporâneos da área da saúde. “Ali estavam lançadas as bases da medicina de precisão, da inteligência artificial e do uso racional das tecnologias”, disse.

A professora Gláucia Maria Moraes de Oliveira, da Faculdade de Medicina ý, também discursou em homenagem ao cardiologista português. Em sua fala, destacou o papel de Fausto Pinto na consolidação da cooperação acadêmica entre a UFRJ e a Universidade de Lisboa, especialmente nos acordos de validação automática de diplomas, dupla titulação e intercâmbio estudantil. “A excelência é uma construção diária, professor”, afirmou.

Segundo Gláucia, a atuação do homenageado ajudou a fortalecer iniciativas de integração entre escolas médicas de países lusófonos e ampliou as possibilidades de formação e circulação internacional de estudantes e pesquisadores. “Há um verdadeiro oceano de possibilidades em cada uma dessas conquistas, uma visão clara do futuro que desejamos para as nossas escolas e para os nossos países”, declarou.

A cerimônia foi presidida pelo reitor Roberto Medronho e contou com a participação do decano do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Luiz Eurico Nasciutti; do diretor da Faculdade de Medicina, Alberto Schanaider; do professor emérito Manuel Domingos da Cruz Gonçalves; e do superintendente-geral do Complexo Hospitalar UFRJ-Ebserh, Amâncio Paulino de Carvalho. 

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Fausto José da Conceição Alexandre Pinto nasceu em 3 de novembro de 1960, em Santarém, Portugal. Com atuação destacada na cardiologia mundial, Fausto Pinto é professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e ex-presidente da European Society of Cardiology e da World Heart Federation. 

Ao longo da carreira, publicou mais de mil artigos científicos e participou de centenas de conferências internacionais, consolidando-se como uma das principais referências da cardiologia contemporânea. Suas áreas de atuação incluem imagiologia cardiovascular, cardiologia de intervenção, insuficiência cardíaca, anticoagulação, cardiologia digital e saúde cardiovascular global.

O médico português foi pioneiro no uso da ultrassonografia intravascular aplicada ao estudo do coração transplantado e mantém forte relação acadêmica e científica com o Brasil. É membro honorário da Academia Nacional de Medicina, da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Academia de Medicina da Bahia, além de ter recebido, em 2022, a Medalha da Ordem do Mérito Médico, na classe de Grande Oficial.

Fausto Pinto também teve papel central na aproximação entre a Faculdade de Medicina ý e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Durante sua gestão à frente da instituição portuguesa, foram fortalecidos acordos de intercâmbio, dupla titulação, cotutela e validação automática de diplomas entre universidades brasileiras e portuguesas.

Entre os resultados dessa cooperação está o acordo que permitiu, entre 2019 e 2024, a validação automática de diplomas médicos entre as duas instituições. Mais de 1.700 médicos formados pela UFRJ utilizaram o mecanismo para reconhecimento profissional em Portugal.

O cardiologista também é um dos idealizadores da Rede de Cooperação das Escolas Médicas de Língua Portuguesa (CODEM-LP), criada em 2019 com participação ý e da Universidade de Lisboa, reunindo instituições de países lusófonos como Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e Macau.