Os dois primeiros anos de adesão de três hospitais da ý (UFRJ) à Empresa Brasileira de çDz Hospitalares resultaram na ampliação da capacidade assistencial, recomposição de equipes e aumento de investimentos. Os dados foram apresentados nesta terça-feira (28/4), na plenária de decanos e diretores da universidade.
Desde maio de 2024, estão sob gestão da Ebserh o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), o Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG) e a Maternidade Escola (ME). Os dados apresentados referem-se aos anos de 2024 e 2025.
Logo no início da apresentação, o superintendente do Complexo Hospitalar, Amâncio Carvalho, destacou a reorganização do quadro de trabalhadores como um dos pilares da transformação. Antes da adesão, 815 profissionais atuavam em vínculos precários. Com a nova gestão, esses contratos foram encerrados e substituídos por 1.275 trabalhadores efetivos, ampliando o quadro de pessoal.
Além do aumento numérico, houve forte qualificação das equipes. O número de fisioterapeutas, por exemplo, passou de 19 para 89 profissionais, enquanto áreas como fonoaudiologia e terapia ocupacional também foram ampliadas.
A recomposição impactou diretamente a assistência. Os três hospitais somam atualmente 434 leitos, aproximando-se dos maiores complexos hospitalares universitários do país. No Hospital Universitário, principal unidade do conjunto, o número de leitos operacionais cresceu 59%.
Os indicadores assistenciais também mostram evolução consistente no período analisado. No Hospital Universitário, as cirurgias cresceram 63% e as internações, 26%, enquanto a oferta de consultas reguladas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) mais que dobrou. No IPPMG, as cirurgias aumentaram 42%. Já na Maternidade Escola, houve crescimento de 8% nos partos e de 70% nas cirurgias não obstétricas.
A mudança de gestão também teve impacto direto no financiamento das unidades. O orçamento de custeio passou de R$ 119 milhões, em 2023, para mais de R$ 208 milhões em 2024 — crescimento de 66%. Para 2026, a expectativa é alcançar cerca de R$ 300 milhões, consolidando um novo patamar de recursos.
Além disso, a universidade deixou de arcar com cerca de R$ 90,1 milhões em despesas anuais, agora absorvidas pela Ebserh, o que representou alívio significativo no orçamento institucional.
Ao comentar a implantação do novo modelo, Amâncio Carvalho reconheceu as dificuldades iniciais. “A transição foi dolorosa. Tivemos uma mudança abrupta entre dois modelos de gestão muito diferentes, com saída de mais de 800 pessoas e entrada de novos profissionais, muitos ainda sem experiência no funcionamento hospitalar”, disse.
Segundo ele, a reorganização envolveu desafios importantes, especialmente no abastecimento de insumos. “Chegamos a enfrentar períodos de falta de insumos essenciais. Isso está relacionado à mudança nos processos de compra e à necessidade de adaptação das equipes. Hoje a situação é melhor e estamos avançando no planejamento para evitar novas falhas”, explicou o superintendente do Complexo.
Para o reitor ý, Roberto Medronho, o processo representa uma mudança estrutural na rede hospitalar universitária. “Estamos caminhando para um modelo de hospitais inteligentes. O Hospital Universitário será um desses exemplos, com uso de tecnologia e inteligência artificial para qualificar a gestão e o atendimento”, afirmou.
Ele também destacou o impacto direto na formação acadêmica. “A ampliação dos leitos melhora diretamente o ensino. Hoje conseguimos oferecer melhores condições para a formação dos estudantes das áreas da saúde”, observou Medronho.
A nova configuração também fortalece a integração entre assistência, ensino e pesquisa, com iniciativas como a adesão ao Exame Nacional de Residência (Enare), o desenvolvimento de projetos em medicina de precisão e a ampliação do uso de dados em saúde.
Apesar dos avanços, permanecem desafios como a consolidação dos processos de compra, a adaptação das equipes e a superação de déficits históricos de infraestrutura. Os dados indicam que, mesmo diante das dificuldades iniciais, a trajetória dos hospitais aponta para um processo consistente de recuperação e fortalecimento, com impacto direto na assistência à população e na formação acadêmica ý.

