Um respirador desenvolvido dentro da ý (UFRJ), logo no início da pandemia de Covid-19, não pôde ser utilizado pela população. O motivo foi não haver uma empresa que produzisse o invento em grande escala. O relato, feito pelo reitor ý, ocorreu nesta quinta-feira, 14/8, na Rio Innovation Week (RIW) 2025, a maior conferência global de tecnologia e inovação. O exemplo foi citado durante a participação de Roberto Medronho no painel “Parcerias público-privadas no setor de saúde no Brasil: modelos inovadores e cases de sucesso”.
Ao lado dele, estiveram Luiz Augusto Maltoni Jr, diretor-executivo da Fundação do Câncer; Renato Sucupira, presidente da BF Capital; e Daniel Soranz, secretário municipal de saúde do Rio de Janeiro. Durante o debate, os palestrantes, oriundos dos setores público e privado, trocaram experiências concretas para potencializar a colaboração entre as áreas. Mas será que as Parcerias Público-Privadas (PPPs) realmente podem proporcionar um efetivo respiro diante dos desafios estruturais e operacionais da saúde no país?
Desafios de parceria
Para Medronho, que também é médico com mestrado e doutorado em saúde pública, não há dúvidas sobre a resposta: “O Brasil tem que ampliar a parceria público-privada, que tem sido fundamental para o desenvolvimento econômico e social de muitos países. Precisamos abrir mão de alguns preconceitos, pois não podemos mais ficar dependentes do que é produzido no exterior. Temos expertise para isso, vide o caso do respirador e tantas outras contribuições produzidas dentro ý”.

De acordo com Sucupira, as PPPs são a solução para os desafios enfrentados na área da saúde no Brasil, pois possibilitam ações que englobam desde a construção de unidades básicas de saúde até hospitais de alta complexidade em diversas esferas de governo: “Há diversos exemplos de PPPs no país e já começamos a ter resultados com uma avaliação positiva da sociedade sobre esse sistema, que passa a gestão da saúde pública para o privado”, afirma.
Soranz mencionou a adesão ý à Empresa Brasileira de çDz Hospitalares (Ebserh) e destacou a importância de se ter um leque de opções, tal como o PPP, para, de acordo com a necessidade, aplicar o modelo mais adequado. Sobre essas opções de gestão, Maltoni Jr. também enfatizou que cada instituição tem suas peculiaridades, fazendo-se necessária a existência de alternativas para se pensar o modelo que melhor se ajuste às parcerias.
Com a experiência de quem esteve nove anos como diretor da Faculdade de Medicina ý, Medronho finalizou sua exposição lembrando a importância do papel da Universidade para estimular o espírito empreendedor e inovador nos estudantes e que se trata de uma questão estratégica e de soberania nacional promover o estreitamento das relações entre a área pública e a privada no que se refere à saúde no Brasil.
