Uma articulação inédita entre gestão e experiência acadêmica marcou a reunião do reitor da ý (UFRJ), Roberto Medronho, com 17 professores eméritos da instituição. O encontro estabeleceu um espaço permanente de diálogo e construção de propostas para o futuro da universidade, com reuniões bimensais voltadas ao debate de ideias e à formulação de soluções.
Ao abrir a reunião, Medronho convidou os docentes a contribuírem diretamente com sugestões para enfrentar os desafios ý. A proposta é transformar o grupo em um núcleo ativo de reflexão estratégica, capaz de reunir conhecimento acumulado e apontar caminhos para a gestão universitária.
Durante o encontro, o reitor detalhou o cenário enfrentado pela universidade, marcado por restrições orçamentárias e pela necessidade de garantir o funcionamento cotidiano da instituição. Segundo ele, a escassez de recursos para áreas essenciais, como manutenção e infraestrutura, convive com a exigência de manter a universidade ativa e produtiva, o que impõe uma rotina de gestão marcada por urgências constantes.
Na avaliação de Medronho, o fortalecimento da ciência, da tecnologia e da inovação é central para a soberania nacional. O reitor defendeu a ampliação da produção de conhecimento próprio e a redução da dependência externa, além da necessidade de repensar os modelos de financiamento à pesquisa, ainda muito concentrados em métricas como número de publicações, sem conexão direta com os desafios do desenvolvimento social e econômico.
Ele também apresentou iniciativas em curso na UFRJ, como a criação de um novo modelo para importação de insumos e equipamentos científicos com base na imunidade tributária, medida que deve reduzir a burocracia e acelerar pesquisas. Outro ponto destacado foi a mobilização da própria comunidade acadêmica para propor soluções a problemas estruturais da universidade, com dezenas de projetos já submetidos por estudantes e pesquisadores.
Medronho defendeu ainda mudanças mais amplas na cultura acadêmica, com incentivo à inovação aplicada, maior integração entre universidade e sociedade e valorização de soluções concretas para problemas reais. Nesse contexto, ressaltou o papel estratégico dos professores eméritos. “Precisamos combinar conhecimento e experiência para orientar os rumos da universidade”, afirmou.
Durante a encontro, o debate reuniu propostas voltadas à modernização do ensino superior, com sugestões de revisão da estrutura curricular, fortalecimento do papel formador da universidade e maior centralidade da pesquisa na vida acadêmica. Também foram apontados desafios relacionados ao esgotamento de modelos tradicionais de gestão e à necessidade de superar limitações estruturais e orçamentárias.
Outro eixo importante da discussão foi a comunicação institucional. Houve consenso sobre a necessidade de ampliar o alcance das ações da universidade, com estratégias capazes de dialogar melhor com a sociedade e dar visibilidade ao que é produzido na UFRJ.
Os participantes também defenderam maior envolvimento dos professores eméritos nas decisões institucionais e sugeriram o fortalecimento desse espaço de diálogo contínuo com a Reitoria.
Ao final da reunião, foi definida a realização de encontros a cada dois meses, com o objetivo de consolidar um processo permanente de troca de ideias e construção coletiva.
A reunião também marcou a transição da representação dos professores eméritos no Conselho Universitário (Consuni). O professor Ricardo Medronho, da Escola de Química, deixou a função após o término de seu mandato. “Chegar a emérito não é uma posição trivial”, afirmou. Em seu lugar, assume a professora Ana Ivenicki, da Faculdade de ýção, tendo como vice o professor Gilberto Dumont, do Instituto de Química.
